Uma história de sucesso

 

União de forças em torno de um objetivo comum, o fortalecimento da agropecuária na Vila de Rondônia. Com esse pensamento e muito trabalho nasceu, em 9 de janeiro de 1978, a Associação Rural de Rondônia (ARR). Idealizada por agricultores e produtores rurais da época, e liderada pelo grupo de amigos formado por João dos Santos Filho (João da Calama), Assis Canuto, Ney Campos Góes e Alaor José de Carvalho, a ARR nasceu da necessidade de organizar uma entidade forte que pudesse representar a classe em busca de incentivos.

Nos idos de 1976, diversas reuniões foram acontecendo, de início eram poucos produtores. Assis Canuto, prefeito nomeado para a Vila de Rondônia, atual Ji-Paraná, iniciou a busca por uma área para a construção da sede da ARR e criação de um parque de exposições. O primeiro local visitado pelo prefeito, em companhia de João Vilhena, diretor fiscal público municipal, e Mozair Hermógenes, funcionário da prefeitura, foi a área onde atualmente está localizado o bairro Bela Vista. Canuto constatou que a terra era muito acidentada, não sendo o local ideal para construção do parque. Em conversa com Mozair, o prefeito resolveu visitar a área onde está atualmente localizado o parque. Na época, essas terras haviam sido doadas pela União à Vila de Rondônia. Vendo que o terreno era ideal para criação de um parque que pudesse promover eventos para difundir a agricultura e pecuária local, Canuto cuidou de realizar o pagamento indenizatório pelas benfeitorias realizadas pelos posseiros da época, e efetuou a doação dos atuais 200 mil metros quadrados a Associação Rural de Rondônia.

Também participou da escolha da área, o empresário do ramo de máquinas agrícolas, José Vidal Hilgert. Segundo Vidal, outro ponto determinante para a escolha da área foi a sua distância, que havia na época, do centro da cidade. A intenção era que este local não atrapalhasse o desenvolvimento da Vila de Rondônia, e ao mesmo tempo fosse de fácil acesso para população.

 

Parque de Exposições Hermínio Victorelli

 

O parque recebeu o nome de Hermínio Victorelli por uma indicação do prefeito Canuto e então vice-presidente da ARR. Esta homenagem foi prestada por ter sido a Empresa Calama, de propriedade do senhor Hermínio Victorelli, pioneira na colonização da Vila de Rondônia, tendo se instalado aqui em 1965.

“É uma história muito bonita e passou tão rápido que parece que foi ontem que em 5 de setembro de 1980, com a presença do governador Jorge Teixeira e autoridades, acontecia a inauguração do Parque de Exposições Hermínio Victorelli”, lembra, saudosamente, Assis Canuto.

 

Primeira Expojipa

 

Neste momento havia a necessidade de difundir a existência de uma associação que lutava por melhorias para o setor agropecuário, a ARR. Foi aí então que se iniciou a limpeza do parque, colocação das primeiras cercas e realização de corridas a cavalo. Essas corridas foram as primeiras atividades realizadas no parque, despertando o interesse da população pelo local. O volume de atividades foi aumentando e então, no período de 7 a 14 de setembro de 1980 foi realizada a 1ª Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Ji-Paraná, a 1ª Expojipa.

José Vidal lembra dos bons momentos do primeiro desfile, onde ele afirmou que participaram apenas 38 cavalos. “No início eram realmente só cavaleiros, depois foram introduzidas carroças, carros de boi, tratores e só depois as carretas. O seu crescimento foi tanto que a cavalgada tornou-se evento de grande atração no município. Antes a Polícia Militar fazia a abertura da cavalgada. Os PM’s, vestidos com trajes de gala, desfilavam com as bandeiras de todos os Estados, chegavam em frente ao pavilhão principal e realizavam o hasteamento das bandeiras. Depois tudo isso foi se perdendo, se descaracterizando, por causa do grande crescimento da cavalgada. A sociedade acabou tomando pra si este evento, é impossível organizar”, concluiu.

A partir daí a Expojipa foi só sucesso. O parque de exposições tornou-se referencial para Ji-Paraná e região. A Expojipa realizou o 1º leilão de animais do estado de Rondônia, com animais vindos de Londrina. José Vidal, um dos presidentes da ARR, também foi o primeiro leiloeiro, e no início, sem conhecer bem as regras de leilão, acabou leiloando lotes de animais por valores abaixo do preço de mercado. Aqui também aconteceu a primeira vaquejada de Rondônia, a primeira corrida de cavalos quarto de milha e primeira apresentação de motocross. Assis Canuto afirmou que a exposição tem esse caráter pioneiro, todas as novidades relativas à agropecuária acontecem primeiro na Expojipa.

Nesta época, 1980, o estado ainda era Território de Rondônia, subordinado a administração de Brasília. Não havia bandeira, nos eventos oficiais se usava a bandeira do Brasil. Para a inauguração do parque sentiu-se a necessidade de ter uma bandeira da Vila de Rondônia. Foi daí então que mandaram confeccionar uma bandeira, que permanece até hoje a mesma, sem alteração. Assis Canuto lamenta o fato desta primeira bandeira não ter sido guardada, ela foi confeccionada à mão por uma costureira local.

 

 

Só desenvolvimento

 

A partir deste momento, o Parque de Exposições Hermínio Victorelli começou a se transformar. Foi construído o primeiro escritório da Associação Rural de Rondônia (ARR), e que até hoje é o mesmo. Também a primeira arena de rodeio, o primeiro Tathersal, todo em madeira, primeiro stand do Banco do Brasil e do Basa, e o pavilhão de gado, também em madeira. Além da limpeza de toda a área do parque.

Canuto comenta que quando começaram as construções eram homenageadas as pessoas que mais ajudavam. Na época estavam se instalando em Ji-Paraná empresas vindas de Londrina, no Paraná, e também de outros locais de Rondônia. 

Também na realização do rodeio era tudo novidade. Na época não havia como contratar grandes peões, então as montarias eram feitas por pessoas do município.

Ney Góes, sempre na busca do que havia de melhor no mundo country, foi responsável pela organização dessas primeiras montarias, o que o levou a criar a primeira companhia de rodeio de Rondônia, a “Rodeio Veneno”. Foi com a criação da “Rodeio Veneno” que acabou sendo revelando um grande campeão de rodeios, Jair Honório de Oliveira, o Pindobinha, que chegou a ser campeão do Rodeio de Barretos.

A competência dos administradores da ARR conseguiu sempre vencer as dificuldades que foram aparecendo pelo caminho. João Duarte lembra de como era difícil transportar os artistas que vinham fazer os shows durante as Expojipas, sendo de fundamental importância a ajuda de alguns políticos da época. “Teixeirão, governador da época, foi de grande importância para a Expojipa. Em 1982 só conseguimos realizar os shows porque ele colocou a nossa disposição três aviões para transportá-los de Porto velho para Ji-Paraná”, explicou.

Segundo Assis Canuto, a Expojipa consolidou o nome de Ji-Paraná, não só no Estado, mas no cenário nacional, até porque, ela é mais velha que a própria Rondônia.

 

 

Saudosa lembrança

 

Segundo José Vidal, em sua época de presidente da ARR, havia no parque uma escola de equitação para crianças, que também participavam do desfile de abertura do rodeio. Como atração para Expojipa, José Vidal explicou que valorizava os artistas locais e incentivava a criação de atividades de entretenimento para população. Um desses eventos era o Futboi, onde dois times jogavam futebol na arena dividida com vacas bravas. Ele também lembra, com muita saudade, da Mesa da Amargura. Evento no qual mesas e cadeiras eram distribuídas no centro da arena e voluntários se posicionavam para ocupar esses espaços, vacas bravas eram soltas e quem levantasse das cadeiras pagaria cerveja para os outros participantes. “Só víamos mesas, cadeiras e peões sendo jogados para o alto. A população se divertia muito”, comentou.

José Da Lamarta faz questão de lembrar que em sua administração também foi mantida a mesa da amargura, porém com um grande diferencial, apenas mulheres participavam do evento. “As mulheres são muito corajosas, colocávamos animais menos violentos, mas elas são muito valentes”, afirmou.

Uma lembrança, não muito boa, foi a de uma previsão da Mãe Diná. Segundo João Duarte, em 1989, antes da cavalgada de abertura da Expojipa, a mãe Diná foi aos meios de comunicação disse que a ponte sobre o Rio Machado cairia no momento do desfile. “Prejudicou muito o evento que acabou sendo um fracasso”, concluiu.

 

 

 

Atual estrutura do parque 

Com muita dedicação, a Associação Rural de Rondônia (ARR) tem realizado um fantástico trabalho de estruturação do Parque de Exposições Hermínio Victorelli, atualmente considerado um dos mais bem equipados do país. Com uma área total de 200 mil metros quadrados, sendo destes, 150 mil metros quadrados de área útil entre prédios, ruas, calçadas, estacionamento asfaltado para 5.000 veículos, currais, baias e jardins. Sendo esses prédios os abaixo relacionados:

v 05 restaurantes;

v 01 área reservada para instalação de parque de diversões, medindo aproximadamente 5.000 metros quadrados;

v 35.000 metros quadrados em espaços reservados para stands de expositores;

v 01 salão de baile country com capacidade para 1.200 pessoas;

v 11 bares;

v 16 lanchonetes;

v 01 área para acomodação de aproximadamente 35 ambulantes;

v 01 salão do automóvel;

v 01 salão para motocicletas;

v Espaço multisetorial com 1.200 metros quadrados;

v Pavilhão para 300 argolas- Gado de Elite;

v Tathersal de leilões;

v Currais para cavalos;

v Palco com camarim.

 

Tudo isso, vinculado a uma estrutura de água, energia elétrica, limpeza e segurança a fim de proporcionar, além de um grandioso espetáculo, conforto, comodidade e condições ideais para os participantes e visitantes.

Arquivo EXPOJIPA/ fotos